O relatório das Nações Unidas sobre a Situação Mundial e Perspetivas Económicas (WESP) defende que o crescimento global de 3%, o maior desde 2011, deve fazer os decisores políticos apostarem em temas de longo prazo.

“Uma melhoria na economia global, agora a crescer 3%, permite uma reorientação política para temas de longo prazo como as mudanças climáticas, as desigualdade existentes e a remoção de obstáculos institucionais ao desenvolvimento”, lê-se no relatório econômico mais importante das Nações Unidas.

Comentando o documento, hoje divulgado em Nova Iorque, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que o relatório “demonstra que as condições macroeconómicas atuais oferecem aos decisores políticos uma folga maior para lidarem com a raiz dos problemas que continuam a limitar o progresso sobre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável”.

Segundo o relatório, as melhorias económicas são globais, “com cerca de dois terços dos países a terem um crescimento maior em 2017 do que no ano anterior”, o que faz a economia mundial expandir-se 3% nos próximos dois anos.

“A recente retoma no crescimento mundial emana principalmente do firme crescimento em várias economias desenvolvidas, apesar de a Ásia ocidental e do Sul continuarem a ser as regiões mais dinâmicas, tendo representado quase dois terços do crescimento mundial no ano passado, com a China a contribuir com quase metade”, lê-se no documento.

Apesar das boas notícias, “a economia global continua a enfrentar riscos, incluindo as mudanças na política comercial, uma súbita deterioração nas condições financeiras globais e o aumento das tensões geopolíticas”.

Sobre os riscos de longo prazo, o relatório elaborado pelo departamento de Assuntos Económicos e Sociais da ONU, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e as cinco comissões regionais salienta as quatro áreas que podem beneficiar da melhoria das condições económicas.

O texto salienta a necessidade de “aumentar a diversificação económica, reduzir as desigualdades, apoiar o investimento a longo prazo e abordar as deficiências institucionais”, e salienta que “reorientar as políticas para lidar com estes desafios pode gerar um investimento e produtividade mais fortes, mais criação de emprego e um crescimento económico de médio prazo mais sustentável”.

Crescimento do PIB…………………2017…..2018…..2019Angola…………….1,9……2,7……2,7Brasil…………….0,7……2,0……2,5Cabo Verde…………3,9……3,8……4,0Guiné-Bissau……….5,4……4,8……5,1Guiné Equatorial…..-5,9…..-5,9…..-3,6Portugal…………..1,6……1,4……1,2Moçambique…………4,1……3,8……3,9São Tomé e Príncipe…5,0……5,3……5,3Timor-Leste………..5,1……5,5……5,8

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